09 setembro 2012

Governo do Brasil tortura a Medicina

Chega um determinado momento em que a indignação não pode ser contida. É possível fechar os olhos perante o problema uma vez, mas quando o incômodo cresce em ritmo exponencial, a gente explode. E o “incômodo” de que precisamos tratar é sobre o que estão fazendo conosco, com os estudantes de medicina e com os médicos formados.

São projetos de lei que visam diminuir o salário dos médicos federais em 50% – ou aumentar sua carga horária para o dobro, o que é a mesma coisa – ou é o deputado Edson Pimenta propondo que o médico autônomo atenda pacientes por valores abaixo da tabela do SUS, a título de “caridade”, gerando uma economia para o Estado. E sobre o ensino médico, temos hoje a meta da Presidenta Dilma de criar 4.500 novas vagas de medicina no país, por ano, em universidades que sequer têm hospital escola ou são reconhecidas pelo MEC, ou mesmo enquanto as universidades que já existem sequer estão em atividade devido à greve, por falta de negociação com os professores, que também trabalham em regime de “caridade, gerando economia para o Estado”.

O Ministério da Educação já autorizou, em junho, a abertura de 9 cursos de medicina particulares, num total de 800 novas vagas anuais, sendo a maior parte delas nas regiões sul e sudeste do país, regiões em que o número de médicos é muito maior do que a demanda. Há a escassez de médicos em regiões sem infra-estrutura, onde, enquanto o governo não investir seus impostos, nenhuma alma bondosa vai arriscar a sua vida e sua profissão trabalhando sem recursos, sem segurança e sem materiais. O PROVAB – Projeto de Valorização da Atenção Básica – procura levar os médicos formados nos grandes centros para as regiões mais remotas e já está sendo um fracasso, simplesmente porque médicos não são curandeiros e não podem resolver os problemas de saúde apenas com um estetoscópio.

Enquanto isso, os médicos vão se formando e se acumulando nos grandes centros, submetendo-se a altas cargas de trabalho para receberem dignamente, ou digladiando-se para conquistarem uma vaga na residência médica. Afinal, nenhum profissional vai sair desbravar o Brasil sem garantia de retorno, de plano de carreira, de valorização.

Ainda assim, o MEC anunciou que irá criar mais 2.415 novas vagas de medicina em cursos já existentes até 2014. Parece não haver argumento que convença o Planalto de que essa manobra eleitoreira e demagógica vai ruir as bases do bom atendimento à saúde em nosso país. Médicos existem! Somos já o segundo país com o maior número de escolas de medicina (196) perdendo apenas para a Índia (202). Porém, a Índia tem mais de um bilhão de habitantes, em quanto nós estamos na casa dos 200 milhões. Em defesa da saúde dos cidadãos e da qualidade do exercício da medicina do Brasil, a Associação Médica Brasileira, a Associação Paulista de Medicina e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, com apoio das sociedades de especialidade, repudiaram em nota oficial a intenção do Ministério.

Este é um apelo à população médica e também à população geral, que não compactuemos com essa medida política errônea que vai contaminar toda a medicina brasileira. Precisamos é de infra-estrutura, precisamos que nossos impostos retornem em hospitais, em políticas de saúde resolutivas, verbas para que o SUS funcione, educação de qualidade, com professores que sejam bem pagos e ensinem com vontade. As políticas de saúde têm sido tratadas com medidas simplistas e errôneas, guiadas pela demagogia. O câncer dessa gestão está enviando metástases para a medicina, e vamos sucumbir lentamente se nenhuma terapia for administrada.

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